Vício em Likes: Como a Psicanálise olha pra isso?

Na era das redes sociais, os likes tornaram-se uma forma rápida de reconhecimento e validação. 
Para muitas pessoas, receber curtidas em fotos, vídeos ou publicações produz uma sensação de satisfação e pertencimento. 
No entanto, quando a busca por aprovação virtual se torna excessiva, o olhar da Psicanálise oferece importantes reflexões sobre os desejos e conflitos que podem estar por trás desse comportamento.

Sobre esse olhar, o ser humano é marcado pelo desejo de ser reconhecido pelo outro. Desde a infância, construímos nossa identidade por meio dos vínculos afetivos e do olhar daqueles que nos cercam. 
Nas redes sociais, os likes podem funcionar como uma versão digital desse olhar, oferecendo ao sujeito a sensação de que está sendo visto, valorizado e aceito.

O problema surge quando a autoestima passa a depender quase exclusivamente dessa aprovação externa. Nesse caso, cada curtida pode ser vivida como uma confirmação do próprio valor, enquanto a falta de engajamento pode gerar sentimentos de frustração, insegurança e rejeição. 

A busca incessante por likes torna-se, então, uma tentativa de preencher uma falta que, segundo a Psicanálise, faz parte da condição humana e nunca pode ser completamente satisfeita.

Além disso, as redes sociais favorecem constantes comparações. 

O sujeito passa a medir seu valor pela quantidade de curtidas, seguidores ou comentários que recebe em relação aos outros.
 
Esse movimento pode intensificar sentimentos de inadequação e alimentar uma necessidade cada vez maior de reconhecimento, criando um ciclo difícil de interromper.

A Psicanálise também aponta que o excesso de investimento na imagem pode afastar o indivíduo de seus desejos mais autênticos. Em vez de compartilhar algo porque faz sentido para si, a pessoa pode começar a agir principalmente para agradar o público e obter aprovação. 

Nesse processo, o desejo próprio corre o risco de ser substituído pela busca constante de aceitação social.

Dessa forma, a Psicanálise não entende o vício em likes apenas como um hábito tecnológico, mas como uma manifestação de questões subjetivas relacionadas ao desejo, à autoestima e ao reconhecimento. 

Mais do que eliminar as redes sociais, o desafio está em refletir sobre a relação que estabelecemos com elas, buscando formas de valorizar nossa identidade para além da aprovação imediata oferecida pelo ambiente digital.

     

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