Mulheres Vida Cristã

Espaço mulher

Olá Queridas Leitoras,
Estudaremos nesta edição a vida de uma mulher que deve ser exemplo para nós mulheres e também a todos os cristãos, a vida de Maria, mãe de Jesus. Normalmente, olhamos com restrições para essa mulher, devido a todo misticismo e adoração que tem lhe sido devotada, mas esquecemos dela como uma mulher importante na história da Salvação. Que o seu coração esteja aberto para aprender essas preciosidades com esta mulher.
O evangelho de Lucas é conhecido como o evangelho dos gentios, das mulheres, e principalmente como o evangelho da GRAÇA. A palavra graça é a principal palavra do texto bíblico como base a essa reflexão. Se fôssemos defini-la aqui, poderíamos definir assim: “Graça é o meio que nos torna possível perante Deus para sermos úteis para a vida”. Graça aqui não é oca ou apenas teoria, mas vida. Aqui graça qualifica a pessoa a ser favorável, mas este favorecimento conduz esta pessoa a servir. Aqui graça só será de fato graça, quando as pessoas que foram favorecidas perante Deus mostrarem este favorecimento através do serviço. Graça aqui não é estática, imóvel, mas dinâmica, com muita ação, é movimento que conduz a algo útil e promissor. Temos então um personagem que viveu cabalmente esta verdade, MARIA!
Aprenderemos três importantes lições com ela:
1.Maria tornou-se favorável a DEUS (v. 26-28)
Quando observamos o texto, não vemos os motivos de Deus em tornar Maria agraciada, favorável, achar graça perante sua face. O que
O texto que lemos não revela os motivos de Deus em tornar Maria agraciada, favorável, achar graça perante sua face. O que o texto claramente diz é que ela era muito favorecida. Se olharmos para o v.26, Lucas faz um breve histórico de Maria: era solteira, mas com o dia do casamento chegando, e que morava em uma cidade chamada Nazaré que fica na região da Galileia – havia todo um preconceito desta região aos olhos dos judeus, pois para eles os galiléus eram atrasados, brutos, analfabetos, ignorantes. Mas, apesar disto tudo, Deus torna Maria favorável para seu serviço, o qual estaria habilitada para executar. O Deus que tornou Maria possível é o mesmo que nos torna possível perante Ele. Graça não tem sentido, pois torna um sem graça, um desgraçado (ou desprovido de nenhuma graça) em algo possível, favorável, aceitável perante Deus e que o torna útil. Este ser “sem graça e desgraçado” somos nós. Como foi com Maria, Deus nos tornou possíveis perante a sua face. Hoje não somos mais “os sem graça”, mas os “cheios de graça”, pois Deus tornou isso possível. 2.Maria revelou os sentimentos mais profundos de sua alma em resposta às boas novas (v. 29-34)
O v. 29 diz que depois da saudação de Gabriel dizendo que ela era “favorecida perante Deus”, Maria se perturba muito e que se põe a pensar sobre tudo aquilo que havia acontecido. O termo usado aqui no texto original pode ser traduzido como Maria ficou perplexa com tudo aquilo. No v. 30, o anjo Gabriel diz para ela não ficar com medo. No original o termo usado para medo é Fobos, que vai criar a palavra FOBIA (medo mórbido, ou seja, medo doentio). No entanto, a palavra MEDO é acompanhada por uma das palavras negativas do original. Isso mostra que o medo que lhe abatera fora muito grande ao ponto do anjo usar um termo muito categórico com ela para que a mesma não sentisse um medo profundo.
No v.34, Maria questiona o anjo por tudo aquilo que ele havia dito a ela entre os v. 30-33. Ela questiona porque não havia entendido nada; para ela era ilógico ser mãe sem um pai! Por causa da graça com que Maria foi favorecida perante Deus, é possível que os sentimentos mais profundos do ser mostrem uma enorme incompreensão frente ao ETERNO, ao INVISÍVEL, ao ILÓGICO, ao INACESSÍVEL.
O Deus que fez Maria expressar os seus sentimentos mais profuntos é o mesmo que nos liberta de nossas máscaras existenciais. Na graça os medos, os pavores, as dores, os questionamentos, as dúvidas e até mesmo os pecados são possíveis. A graça é libertadora, pois mostra que todos são frágeis, limitados, feios, horrendos… Ela permite que todos possam ser o que são de fato; não há necessidade de máscaras que camuflam, que enganam, que obscurecem…; É sim nesta graça que Maria foi impulsionada a NÃO TEMER, mas ela revelou que estava com muito medo, que não tinha compreendido nada e que estava em dúvida; A graça não nos castra daquilo que sentimos, mas nos ajuda a NÃO TEMER perante a realidade das boas novas de Deus. Quando mergulhamos na graça de Deus não temos medo dos nossos demônios interiores, de nossas máscaras existenciais; na graça somos livres para viver e gerar a vida de Deus em nós;
É na graça que passamos a viver as realidades que nós vivemos, pois a graça dá um colorido todo diferente à vida, os raios solares passam a dar sentido à vida que outrora era sem sentido…;
Quando as nossas máscaras caem, é sinal que somos livres, e que a partir de agora tudo se encaixa perfeitamente porque o Deus Eterno permite eu ser o que de fato sou a partir de suas verdades…que me fazem entender todos os processos que passo nesta vida aqui.
3.Maria entendeu que não era um fim em si mesma, mas um canal, um meio através do qual Deus iria concretizar sua vontade suprema e eterna (v. 35-38) Depois da experiência de MEDO, Maria entende que a palavra dita a ela era para que a mesma entendesse que era apenas um canal, um meio, um instrumento, uma ponte entre o ilógico para o lógico. A palavra que Maria usa no v. 38 para servo é doulos. O termo doulos enfatiza a ideia de submissão. Para os irmãos primitivos JESUS CRISTO era Senhor e Mestre, e tinham imensa alegria em aceitar a posição de escravos de Cristo. Maria queria dizer aqui que era uma escrava submissa para que Deus pudesse realizar nela a sua vontade. Como aconteceu com sua parente Isabel, que mesmo com a idade avançada e por ser estéril não bloqueou em ser um canal, um meio, um instrumento para que Deus pudesse realizar sua vontade. Não é à toa que Gabriel diz que para Deus não haverá impossíveis. Impossível seria se ela não aceitasse o convite de Deus. Quando Maria entende o seu papel de escrava no processo da trama de sua história, o impossível que provavelmente abatera seu ser não seria impossível, pois para Deus nada é impossível! O Deus que fez Maria compreender que ela seria meio através do qual Deus iria concretizar sua vontade suprema e eterna é aquele que nos indica que não passamos de garçons da graça. A graça torna os favoráveis, os bem-aventurados em garçons da graça. O garçom é um empregado que serve às mesas de uma maneira bem discreta, sem chamar para si atenção. Isto vai se refletir em sua roupa discreta, no não uso de joias, no uso discreto da fragrância do perfume, em sua postura, porque o foco dele é atender o melhor possível às mesas que estão repletas de clientes exigentes e muitas vezes chatos.
Nós somos estes garçons como foi Maria. O nosso foco não é chamar a atenção para nós mesmos, mas para aquele que nos “contratou” para sermos úteis para a vida.
Na Escritura Sagrada, o verbo SERVIR aparece 50 vezes, o substantivo SERVO é encontrado 800 vezes, 300 vezes palavras que são derivadas da palavra SERVO, e ainda 130 vezes as palavras ESCRAVO, ESCRAVIZAR e ESCRAVIDÃO.

No entanto, mesmo com todas estas palavras repetidas tantas vezes na Bíblia, temos desprezado o espírito do serviço, do garçom da graça, do servo, do escravo. Por que será? Porque hoje é mais fácil sermos CLIENTES! E o cliente pode comprar tudo, e em alguns lugares compram-se favores de Deus.
Temos que entender que a lógica do mundo difere da nossa; os valores da graça colidem com os valores do nosso mundo. Enquanto somos tentados a ter os nossos direitos, os valores da graça gritam para nós que de direito não temos nada, não temos escolha, não temos vontade própria… A nossa vontade é a mesma vontade de Deus. Maria apenas disse: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. Ser garçom da graça nos torna suscetíveis ao impossível e ao contraditório. Ser garçom da graça constitui-se um modo de vida, uma atitude, um relacionamento.
A graça que nos tornou favoráveis perante Deus, nos torna garçons da graça que serve a todos as boas notícias de Deus que uma vez foi gerada em nós e por nós.

Manoela Cristina dos Santos
ICPB Estiva Gerbi

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1 Comment

  1. Roberto Reply

    É a primeira vez que leio a coluna para mulheres, Deus abençoe seu trabalho, vou orar para que o Espírito Santo encaminhe a você boas mensagens para edificar as mulheres.

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