Apologética

A Fé cristã no tribunal da razão

A fé cristã tem sofrido ataques desde seus primórdios e portanto sempre houve a necessidade de respostas em sua defesa a fim de que os argumentos levantados contra ela fossem derribados. Talvez algumas pessoas acham que não se faz necessária tal atitude, a defesa da fé. As razões são diversas, mas podemos destacar sobretudo o pouco interesse da maioria dos cristãos pelo estudo bíblico-teológico, além da falta de percepção da relação que a fé cristã tem com o conhecimento “secular” e por fim pela ênfase exagerada que grande parte das igrejas da atualidade tem dado à batalha espiritual focando especialmente seu aspecto transcendental. O misticismo evangélico desconhece a racionalidade da fé. Os adeptos do “sobrenatural” não admitem nenhuma sobrenaturalidade no estudo dos pilares da doutrina da igreja e da fundamentação apologética contra os possíveis ataques que ela venha a sofrer. A fé cristã precisa mesmo de quem a defenda? Pois este é o trabalho da apologética cristã. Ela pode ser definida como o estudo dos modos e meios usados na defesa da fé cristã. Desde os registros do livro de Atos, nota-se que um elemento de defesa está presente na pregação cristã. Essa defesa seria uma resposta contra alguma acusação ou denúncia, é o que chamamos de apologia. Ela vai de encontro a uma acusação, explicíta ou não, apresentando os fatos do caso e anotando as conclusões que deles se tiram. Foi o que fez o apóstolo Paulo diante do rei Agripa. A literatura cristã produziu muito material apologético, desde os mais antigos como as apologias de Justino Mártir até os dias atuais como “Evidência que exigem um veredicto” de Josh Mcdowell. A necessidade de se fazer apologética dá-se na importância do bojo de cada época. Os conhecimentos científicos e as transformações sociais se processam rapidamente e portanto urge que a igreja empreenda essa disciplina teológica, visto que ela é um estudo realizado por cristãos para cristãos. Como afirma Richardson:

“A apologética cristã, no sentido mais restrito que essa expressão contém, quando empregada de modo exato, trata das conexões e consequências da revelação cristã para uma compreensão racional do mundo e de nossa existência nele. Busca mostrar que a revelação, como a entendem os cristãos, não é incompatível com o exercício da razão, e constitui, sim, valioso auxílio e guia para a razão humana no seu anseio de compreender as coisas; e, muito mais ainda, que a revelação não é uma ficção  produzida pela imaginação de cristãos, e, sim, uma categoria baseada em fatos observáveis e em experiências identificáveis, quando corretamente interpretados.”

Embora que uma discussão persista quanto ao ponto de conexão entre a razão e a revelação, contudo eles não são dois extremos irreconciliáveis. O elemento racional reside na fé. A fé como doutrina precisa estabelecer argumentos inteligíveis à razão. Afinal, a fé vem pelo ouvir, isto é, compreender. Não haverá compreensão sem o uso do intelecto. Deus revela a mensagem ao intelecto humano e então este recebe o dom de crer, torna-se convicto da existência de Deus e também da Sua ação reveladora. Essa experiência jamais poderá ser negada pelo crente pois sua racionalidade não produzirá para ele uma convicção contrária a verdade desta revelação. Não queremos dizer que a conversão seja um evento racional, como se fosse possível convencer um pecador da mesma forma que é possível convencer uma pessoa que tem um conhecimento errôneamente comprovado sobre algo. Pelo contrário, cremos assim como Spurgeon que a tarefa de domar uma fera selvagem é mais promissora. O que queremos salientar é o fato da necessidade de se fazer apologética por compromisso com a fé que pregamos. Norman Geisler apresenta três razões para a necessidade da defesa da fé. Em primeiro lugar, Deus a ordena.  Conforme os textos profusos que se seguem (1Pe 3.15,16a; 2Co 10.4a,5; Fp 1.7; Jd 3; Tt 1.9 e 2Tm 2.24,25), notamos que a igreja deve manter uma atitude vigilante quanto a essa questão. Em segundo lugar, é exigência da razão. Deus criou o homem com essa capacidade. A racionalidade é parte da imagem dEle em nós (Gn 1.27; Cl 3.10). “Um princípio fundamental da razão é que ela deve ter evidências suficientes para a fé. Uma fé sem justificação não passa disso – é injustificada.” (Is 1.18; 1Jo 4.6; Hb 5.14). Por fim, é necessidade do mundo. “Evidências da verdade devem preceder a fé”. Essa é a premissa máxima da razão humana. Deus quer que o homem faça decisões baseadas em observações. Não podemos admitir que a doutrina cristã seja assentida irracional e absurdamente. O mundo necessita de respostas da fé cristã. Fé não é um passo dado no escuro, mas sob a luz das evidências. A doutrina cristã está toda baseada em evidências suficentes para gerar fé naqueles que a atacam. Nossa fé estará sempre diante do tribunal da razão. “Crer é também pensar” (John Stott).

 

Jadson Juvino Oliveira da Silva


 

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1 Comment

  1. Alberto Fernandes Reply

    Amém irmão, a igreja primitiva não pode perder sua identidade,deve continuar com veemência fazendo aquilo que o senhor a designou,pela fé despertar a fé em quem não possui a fé,ou seja dividindo o maná descido do céu,que é palavra, mais doce do que o mel conforme ( Atos 2;37 ao 47).

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